terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O descaso com o transporte sobre trilhos no Rio!

Não é de hoje que percebemos a desatenção das autoridades estaduais com o transporte de massas, em especial com o transporte sobre trilhos. Mas o governo atual, sob comando de Sérgio Cabral, bateu todos os recordes de incompetência e descaso.
Apesar da construção da gambiarra do Metrô, chamada de Linha 1-A, vendida como solução para melhor do sistema por terminar com a transferência no Estácio, essa obra faraônica só piorou a situação do já decadente serviço metroviário da capital. Todos os entendidos do assunto alertaram para que isso aconteceria, mas o Governo do Cabral, a Agentransp - a Agência Reguladora do setor, e a própria concessionária MetrôRio levaram adiante a gambiarra, que jogava no lixo o projeto original do metrô, elaborado em sua totalidade ainda nos anos 70, de maneira exemplar pelos mais experientes técnicos da época. Falaram mais alto os interesses excusos, já que o governo estadual entregou a obra nas mãos da concessionária, em troca do aumento de anos da concessão para exploração do metropolitano do Rio.

Pois bem, concluída a obra e colocada em operação a nova linha, os problemas se acumularam: superlotação das composições, aumento absurdo no tempo de espera nas estações, ausência de um sistema adequado de sinalização, o que torna possível inclusive a colisão entre trens, a diminuição da limpeza e manutenção das composições, o que vem aumentando as panes e paralisações, e onde já é possível notar a proliferação de fungos dentro dos vagões, entre erros de execução e projeto da obra da nova linha, o que também ocasiona riscos de colisão. Esses são só alguns dos inúmeros problemas que surgiram ou se agravaram com a gambiarra da linha 1-A.

Uma vistoria feita por um promotor e pelo Deputado Estadual Alessandro Molon averiguou todos esses fatos, além da ostensiva cobertura da imprensa, o que levou o Ministério Público Estadual a exigir a paralisação completa da nova linha e a volta da operação normal de transferência no Estácio, até que existam condições adequadas para sua utilização. Diz a reportagem do O Globo sobre o assunto: "Para o MP, a conexão direta entre Pavuna e Botafogo só pode funcionar com a conclusão das obras da estação Cidade Nova, a implementação de um sistema automático de sinalização, a chegada dos 114 trens encomendados pela concessionária Metrô Rio (com entrega prevista para 2011) e o restabelecimento do intervalo de quatro minutos entre os trens."
A Agentransp, que deveria agir exemplarmente nesses casos, já que é a agência reguladora responsável por esses assuntos, pouco faz para punir a concessionária ou melhorar o sistema. Desde o anos passado, perto do fim das obras da nova linha, quando os problemas no metrô começaram a se agravar, até hoje, quando a situação beira o insustentável, nenhuma medida efetiva foi tomada pela agência. Agora, diz que deu prazo de 15 dias à concessionária MetrôRio para que os problemas sejam solucionados, caso contrário, vai pedir que a conexão volte a ser feita no Estácio. Leiam novamente, pedir. Se até a Agência Reguladora faz corpo mole, que dirá a concessionária do sistema. Casos como esse deviam ser passíveis de perda da concessão, rasgar o contrato mesmo, sem dó. Mas imagina se o atual governo faria algo desse tipo. A última vez que o Governador Sérgio Cabral falou sobre o assunto, antes do Carvanal, ele disse que havia "mandado um e-mail desaforado ao presidente do Metrô". Está clara a efetividade dessa grande atitude tomada pelo líder máximo do nosso Estado.

Vale lembrar que houve por parte dos Deputados Estaduais Alessando Molon (PT) e Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB e ex-Secretário de Transportes) a tentativa de criação de uma CPI para investigar o Metrô, que foi sumariamente vetada pelo Presidência da Câmara dos Deputados, Jorge Picianni, braço direito de Sérgio Cabral e seu principal comparsa. Ele usa como desculpa a Copa e as Olimpíadas como causa para o veto da CPI, pois ela poderia causar insegurança aos investidores. Quer dizer que insegurança pra população pode, né Picianni? O que interessa é o dinheiro que vai entrar! É assim que o PDMB governa o Rio de Janeiro! Descaso com a população e preocupação com os interesses próprios!


Em tempo: mais uma vez, houve pane nos trens da SuperVia. Todos os ramais tiveram a circulação interrompida por cerca de uma hora no final da tarde de hoje. Passageiros que ficaram presos por 10 minutos no ramal Santa Cruz entraram em confronto com a polícia e tiveram que voltar andando pela linha férrea até a estação Central. A situação dos trens da SuperVia é tão desesperadora que merece um post à parte, que virá em breve, assim como um post com o histórico completo do MetrôRio, com imagens pouco conhecidas do projeto original do Metrô.

Atualização:
segundo informações, uma pane atingiu as composições do Metrô hoje, na estação Pavuna, deixando os passageiros presos por cerca de 10 minutos. O forte calor e o ineficiente sistema de ar condicionado, que não dava vazão, causaram desconforto extremo e alguns passageiros se sentiram mal. Mais tarde, uma composição parou no sentido contrário, quando as plataformas estavam lotadas. Houve um princípio de tumulto e alguns passageiros foram aconselhados a deixar a estação.

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