quarta-feira, 24 de junho de 2009

Plano Piloto da Barra da Tijuca faz 40 anos.

Há 40 anos atrás, o Governador do Estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, preocupado com o adensamento populacional do Rio e visando planejar e ordenar o crescimento da cidade, encomendou ao arquiteto e urbanista Lúcio Costa, o mesmo que planejou Brasília, um plano piloto para a Baixada de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na época pouquíssimo habitada, um grande manguezal, com suas lagoas, algumas dunas e extensa praia.

Como a expansão urbana para aquela área era inevitável, o plano previa controlar e organizar o crescimento, preservando grande parte da geografia e das belezas naturais do lugar. Dois eixos principais, um na horizontal e um na vertical, cortavam a baixada de ponta a ponta, ligando todo o bairro. Hoje são as avenidas das Américas e Ayrton Senna. Também estavam definidos no plano os gabaritos para as construções, núcleos de urbanização, e até um Centro Metropolitano. Em linhas gerais, esse foi o plano concebido.

O que foi realizado, no entanto, não foi bem o planejado. Os primeiros grandes condomínios construídos não respeitaram os gabaritos, e foram erguidas junto à praia imensas torres, tapando a visão do litoral para quem está no centro da planície. As pistas junto a orla foram duplicadas e, contrariando o projeto original, ganharam canteiro central com vagas de estacionamento. A Avenida das Américas deveria ser uma highway, sem sinais de trânsito, com os retornos das vias laterais passando por baixo da principal. Com o desenvolvimento, as áreas residenciais ficaram relativamente distantes do comércio, o que torna quase que essencial o uso de carro para se locomover e fazer quase tudo na Barra. E por negligência dos governos seguintes, principalmente pós fusão, obras de saneamento básico deixaram de ser feitas, o que é um grande problema até hoje, e causou a poluição do sistema lagunar.

Ainda assim, a Barra da Tijuca é algo ímpar no Rio de Janeiro. Beleza incomparável, ótima qualidade de vida, excelente oferta de serviços e estilo de vida único na cidade. Por muito tempo taxado de "bairro dos emergentes", é mais correto chamar de Miami brasileira. Quando se chega lá pelo Elevado do Joá, se lê num outdoor: "Sorria! Você está na Barra". E você, feliz e contente, sorri.

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