terça-feira, 14 de abril de 2009

O quê o atual Governo do Estado fez pelo interior?

Me lembro bem da campanha do Cabral ao Governo do Estado em 2006. Ele percorreu quase todo o Estado em uma van, e repetia em seu programa que "o Estado do Rio cresce com a força do interior". Nas promessas, anunciou a construção de escolas técnicas e profissionalizantes, uma universidade estadual na Região Serrana, criação de empregos através dos Pólos Regionais de Desenvolvimento, e prometeu ainda atrair cada vez mais investimentos para o interior.

Assistam alguns vídeos da campanha:
Região Serrana: http://www.youtube.com/watch?v=jAaqRJvULD8
Região Sul/Centro: http://www.youtube.com/watch?v=6Dhy-Hh1P2A
Região Norte/Nordeste: http://www.youtube.com/watch?v=GcxoQaWn-fc

Passados dois anos, vejamos o que ele realmente fez: quase nada.

Cabral, como a maioria dos governadores do rio, age como um prefeito da cidade do rio, ou como governador da Guanabara, demandando toda atenção e esforço nos problemas da capital. Isso talvez se deva ao fato de que a maior parte dos fluminenses mora na região metropolitana, o que torna essa região uma formadora de opinião e com maior número de eleitores, por tanto, decisiva numa eleição, mas não necessariamente mais carente da presença do poder público. Onde estão as milhares de escolas técnicas prometidas, para levar ensino profissionalizante aos fluminenses mais carentes do interior, dando-lhes assim mais oportunidades? E as obras de infra-estrutura, como saneamento e transportes, que praticamente só acontecem no Grande Rio e olhe lá?

Em campanha, Cabral prometeu estender a linha 2 do metrô rumo à Baixada, tornado o ramal de Belford Roxo em Metrô de Superfície, e levá-lo até Nova Iguaçú. Ná prática? O Governo planeja jogar no lixo os projetos originais do Metrô e estender a Linha 1 da Zona Sul do rio até a Barra da Tijuca. Mas e a Baixada? Continua com os trens do jeito que estão, precários, super lotados, e não por acaso, hoje em greve. As linhas de ônibus da Baixada também entraram em greve recentemente, e o sitema de Barcas vem funcionando de maneria precária há muito tempo, sem que providências sejam tomadas.

Na área da saúde, prometeu se aliar às prefeituras para financiar o custo de funcionamento para tornar os postos de saúde 24 horas em todo o Estado. Não fez. Ao invés disso, tomou pra si uma atribuição que deveria ser das prefeituras, e criou a UPA (que tem uma estrutura alugada e com funcionários terceirizados, custando alguns milhões por mês de aluguel), que também só está presente maciçamente na Região Metropolitana. Curiosamente, em Duque de Caxias, já havia o acordo entre o Governo do Estado e a Prefeitura para o funcionamento 24 horas dos postos de saúde, mas mesmo assim Cabral construiu duas UPAs no município.

Quanto à segurança, o projeto era criar um "rigoroso controle das fronteiras do estado, para evitar a entrada de armas e drogas”. Esse sistema contaria com barreiras, nas principais vias de entrada ao Rio, com cães e equipamentos eletrônicos. O Grupamento Marítimo contaria com mais embarcações e trabalharia integrado com a Marinha e a Polícia Federal, e os pequenos aeroportos do interior seriam vigiados por grupamentos da Polícia Civil especialmente treinados para tal função. Se levarmos em conta que o tráfico de drogas só aumenta, e que a cada dia vemos na mídia a notícia da apreensão de toneladas e mais toneladas de drogas e armamentos dentro de paióis nas favelas na capital, fica claro que Cabral não agiu como prometeu em campanha: Não há vigilância nas fronteiras.

O Governador gaba-se de ter trazido várias empresas para o Estado: os grandes estaleiros, a Cia. Siderúrgica do Atlântico, as montadoras de veículos de Porto Real, e a refinaria de Itaboraí. Realmente, ele teve sua parcela de participação para trazer esses investimentos, mas não enquanto Governador. Na verdade, nesse governo não houveram novos grandes investimentos no Estado, muito menos no interior. Na capital, há o PAC, que diga-se de passagem, é pura propaganda do governo federal e não traz nenhuma obra significativa ou de grande importância para a população. Mas no interior, o Governo Cabral mais uma vez falhou, e vive de ostentar conquistas do passado.

Estes são só alguns exemplos do descaso do Governo que, supostamente, deveria ser do Estado do Rio, e não um governo que tenta usar a capital para ganhar visibilidade e conseguir levar em frente o péssimo trabalho que vem fazendo.

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